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O que é depressão?
10/11/2017

VA_Post- Depressão

A depressão é caracterizada pela perda ou diminuição de interesse e prazer pela vida, gerando angústia e prostração, algumas vezes sem um motivo evidente. Atualmente é considerada a quarta principal causa de incapacitação, segundo a Organização Mundial da Saúde. Esse transtorno psiquiátrico atinge pessoas de qualquer idade — embora seja mais frequente entre mulheres — e exige avaliação e tratamento com um profissional. O desânimo sentido é fruto de desequilíbrios na bioquímica cerebral, como a diminuição na oferta de neurotransmissores como a serotonina, ligada à sensação de bem-estar.  Esse desequilíbrio pode ser desencadeado por eventos da vida da pessoa, assim como, por fatores biológicos.

 De acordo com o DSM-V7 (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, em sua quinta edição lançada em maio de 2013) os critérios diagnósticos para a depressão são:

- Cinco ou mais dos sintomas seguintes presentes por pelo menos duas semanas e que representam mudanças no funcionamento prévio do indivíduo; pelo menos um dos sintomas é:
1. Humor deprimido na maioria dos dias, quase todos os dias (p. ex.: sente-se triste, vazio ou sem esperança) por observação subjetiva ou realizada por terceiros;
2. Acentuada diminuição do prazer ou interesse em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicado por relato subjetivo ou observação feita por terceiros);
3. Perda ou ganho de peso acentuado sem estar em dieta (p.ex. alteração de mais de 5% do peso corporal em um mês) ou aumento ou diminuição de apetite quase todos os dias;
4. Insônia ou hipersônia quase todos os dias;
5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observável por outros, não apenas sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento);
6. Fadiga e perda de energia quase todos os dias;
7. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (que pode ser delirante), quase todos os dias (não meramente autorrecriminação ou culpa por estar doente);
8. Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outros);
9. Pensamentos de morte recorrentes (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, ou tentativa de suicídio ou plano específico de cometer suicídio;

Dessa maneira muitas pessoas não sabem que sofrem de depressão por não conseguirem enxergar em si mesmos os sintomas característicos da doença. Portanto, se você conhece alguma pessoa que está tendo comportamentos típicos de alguém depressivo, converse com ele e sugira a procura de um profissional especializado. Caso perceba em si tais sintomas, busque ajuda também. Quanto antes a doença for diagnosticada, melhor o prognóstico!

 

Por: Lilian Medeiros Trigueiro Quadros (CRP 03/10966)

-Graduada em Psicologia (BAHIANA, 2013)

-Psicóloga no hospital-dia CICLOS

-Pós-graduada em Psicologia Clínica e Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (Instituto WP, 2014)

-Experiência na área de Saúde Mental, com atendimento psicoterápico individual e grupos psicoterapêuticos em hospital-dia e consultório.

 

Para saber mais sobre o assunto, inscreva-se na Palestra “DEPRESSÃO – QUAIS TRATAMENTOS POSSÍVEIS?” que acontecerá na clínica CICLOS no próximo dia 20/11/2017 às 18h30.

VA_Cartaz Cursos Ciclos_Depressão_2017-02_blog

Confira as palestras deste ano, edições passadas e futuras. Acompanhe nossa página no Facebook @nucleociclos e fique sempre por dentro.

Suicídio: é possível prevenir
26/09/2017

VA_Post- Suicídio

Setembro Amarelo é uma campanha que chama a atenção para uma realidade assustadora que precisa ser conhecida e discutida pelo público: o suicídio vem crescendo em números alarmantes e já é a terceira causa de morte na faixa etária de 15 a 24 anos.

Apesar de não possuirmos dados muito confiáveis a respeito de um tema tão cercado de preconceitos, é sabido que no Brasil a taxa de suicídio tem crescido anualmente e ocupa o 8° lugar no mundo.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde ), no ano de 2020 haverá no mundo todo mais de 1,5 milhão de óbitos por suicídio. Ou seja, cerca de 15 a 30 milhões de pessoas tentarão o suicídio, ocasionando uma morte a cada 20 segundos e uma tentativa a cada 2 segundos.  Estes números indicam que morrem mais pessoas por suicídio do que em acidentes de trânsito.

Sim, é uma estatística nefasta.  Mas temos a possibilidade de mudar essa realidade. De cada dez suicídios, nove poderiam ser evitados.  Estudos evidenciam que nos dias que antecedem o êxito suicida, muitos procuram alguém ou algum serviço de saúde para falar de sua desesperança. Essa ambiguidade, própria do ato suicida, pode ser usada para evitar que o suicídio se concretize.

Uma escuta preparada, acolhedora, disponível e determinada a ajudar pode ser um divisor de águas na perspectiva do suicida.  A importância de vencer o estigma e o preconceito e buscar ajuda profissional com um psiquiatra e uma equipe de saúde mental é também de extrema importância.

As pessoas que sentem alguma dor física, tendem a procurar com brevidade um serviço médico, porém, quando a dor é emocional, é muito comum evitar o assunto e não procurar ajuda.  Mas isso precisa mudar.

Os dados citados apontam para a necessidade de falar sobre o suicídio e não reduzir o sofrimento mental a um diagnóstico psiquiátrico.  Fatores socioeconômicos como desemprego, divórcio, problemas de autoestima, bullying e doenças crônicas são alguns dos fatores de risco que precisam ser considerados. Qualquer pessoa pode passar por situações de crise e essas pessoas precisam ser assistidas de maneira séria e comprometida.

 

Por: DRA. RITA BATISTA (CRM 12398)

-Psiquiatra – Especialista em Psiquiatria Geral (Titulada pela ABP)

-Diretora-técnica da Ciclos

-Especialista na área da infância e da adolescência

-Psiquiatra do HPJM e CAPS Rosa Garcia

 

Para saber mais sobre o assunto, inscreva-se na Palestra “SUICÍDIO – Abordagem médica: aspectos clínicos e intervenção” que acontecerá na clínica CICLOS no próximo dia 25/9/2017.

VA_Cartaz Cursos Ciclos_Suicídio_2017-02

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Afinal, o que é ansiedade e como tratá-la?
14/09/2017

VA_Post- Ansiedade

Afinal, o que é ansiedade? Todos os momentos nos deparamos com alguém nos dizendo que se sente ansioso e, como profissional de saúde,  diariamente ouço a pergunta que inicia este texto.  A ansiedade junto com a depressão é considerada hoje um problema de saúde pública, uma vez que, segundo dados da OMS,  33% da população mundial sofre com algum transtorno de ansiedade e muitas dessas pessoas terão algum prejuízo significativo em uma das áreas da sua vida, seja profissional, familiar e/ou social, precisando em alguns casos, inclusive, se afastar do trabalho.

A ansiedade é uma resposta de medo, ou seja, no cerne de toda resposta ansiosa existe um medo subseqüente a esta resposta. Por exemplo, se vamos realizar uma prova prática no DETRAN e nos sentimos ansiosos, isso significa que podemos ter medo de sermos reprovados, de não podermos dirigir, de termos de gastar mais dinheiro.  Ou seja, sempre que você se sentir ansioso, se pergunte: O que estou temendo neste momento? Assim, você vai começar a identificar por que você se sente ansioso.

A ansiedade é composta de sintomas fisiológicos, cognitivos e comportamentais. Os sintomas fisiológicos compreendem as reações físicas que sentimos no corpo, tais como: sudorese, taquicardia, falta de ar, etc. Os sintomas cognitivos compreendem a forma como processamos os eventos que passamos, tais como: medo de perder o controle, medo de morrer ou passar mal, etc. Já os sintomas comportamentais compreendem a nossa forma de agir uma vez que os sintomas cognitivos e/ou fisiológicos se fazem presente, por exemplo: evitando uma apresentação, gaguejando, deixando de sair, etc.

O entendimento da ansiedade e a identificação de cada um desses elementos farão com que você compreenda melhor o que acontece com você ao se sentir ansioso, o que geralmente já reduzirá a intensidade da sua ansiedade, porém se fazem necessárias mudanças em todas as esferas acima citadas. Em muitos quadros de ansiedade, o acompanhamento psicológico e médico pode ser um auxílio para a redução a níveis normais da sua ansiedade e, concomitantemente, o da qualidade de vida.

Por: Tatiana Gonçalves de Souza (CRP 03/9356)

-Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Saúde Mental Ciclos.
-Coordenadora do grupo de estudo na Ciclos sobre Terapia Cognitivo-Comportamental e transtornos de ansiedade.
-Psicóloga do Hospital-dia Ciclos.
-Terapeuta cognitivo-comportamental.

 

Para saber mais sobre o assunto, inscreva-se na Palestra “AFINAL, O QUE É ANSIEDADE E COMO TRATÁ-LA?” que acontecerá na clínica CICLOS no próximo dia 14/9/2017.

VA_Cartaz Cursos Ciclos_Ansiedade_2017

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7 dicas de bem-estar no trabalho
19/07/2017

VA_Post-7 dicas bem-estar no trabalho

Algumas atitudes simples podem ajudar a melhorar não só a produtividade, como também o relacionamento com os colegas de trabalho. A psicóloga Lucila Dórea, especialista em terapia cognitvo-comportamental, listou algumas formas simples de melhorar seu bem-estar no trabalho. Confira as dicas a abaixo:

1. Organize o tempo e as tarefas

Organizar a agenda, tendo em mente o tempo disponível e as tarefas a serem realizadas, vai te ajudar a ser mais produtivo.  Liste o que é preciso ser feito e, ao lado, coloque quanto tempo levará para executar.  Depois organize por ordem de importância.  Dica: Coisas rápidas e fáceis podem ser incluídas entre tarefas mais longas e complexas, mesmo que não sejam as mais urgentes, pois cada tarefa que você riscar da lista te dará um novo ânimo!  Não se esqueça de ficar feliz e se parabenizar por cada tarefa feita, mesmo que mentalmente!

2. Passe menos tempo nas redes sociais

Evite perder tempo nas redes sociais durante o horário de trabalho. Elas consomem seu tempo sem você perceber e isso acaba gerando um sentimento ruim de frustração, quando você percebe que deixou de fazer algo importante pois se distraiu no Facebook.  Se for difícil resistir (sabemos que é!), considere a possibilidade de apagar os ícones dos aplicativos do seu smartphone. Não se engane, cada uma dessas redes sociais foi pensada de forma a atrair sua atenção e é realmente difícil não clicar!  Fique atento aos “pensamentos permissivos” como: “vai ser só um minuto”; “estou precisando relaxar”; “posso fazer a tarefa assim que olhar essa mensagem”; “eu mereço um intervalinho”.  Assim como quando estamos de dieta e damos um jeitinho para escapulir, o mesmo acontece com o uso das redes sociais! Então, uma boa estratégia é você, sabendo que pode criar armadilhas pra você mesmo, já ter as respostas em pensamentos ou planos:  ”posso usar meu intervalo para tomar um delicioso café”; “pelas experiências passadas, sei que vou demorar muito mais do que um minuto e isso vai me prejudicar”; “vou ficar bem feliz se conseguir terminar essa tarefa e bem frustrado se não”. Se você precisa usar o Facebook para o trabalho, existem aplicativos que bloqueiam o feed de notícias, assim você pode se concentrar no que precisa ser feito e não nas fotos e reportagens sobre tudo mais.

3.Busque cooperação em vez de competição

Procure cooperar em vez de competir no ambiente de trabalho.  É muito mais produtivo e agradável viver em um ambiente de cooperação.  As relações interpessoais tendem a ter o tom que damos, seja um bom exemplo do que você espera encontrar em seu colega.  E, acredite, você vai muito mais longe trabalhando em equipe, sendo verdadeiro e ajudando seus colegas de trabalho do que adotando uma postura egoísta e tentando trazer para você todos os méritos.  Os bons profissionais vão se destacar sempre.  Concentre-se em ser um bom profissional em todos os sentidos, inclusive nas relações interpessoais.

4. Observe sua forma de falar

Observe como você fala com seus colegas e seus líderes no trabalho. Use palavras de forma assertiva.  Lembre que para cada situação, muitas interpretações são possíveis.  Observe a reação das pessoas quando você fala algo.  Será que você está passando a mensagem que deseja?  O tom de voz, a emoção que está presente no momento da fala e suas expressões faciais vão aparecer talvez mais do que o conteúdo da sua fala.  Esteja consciente desses pontos.

5. Observe seus pensamentos

 Se algo te irritar, procure observar os seus pensamentos em relação à situação. Veja se existe alguma outra forma de interpretar o que aconteceu.  Imaginar que o seu chefe agiu de determinada forma “só pra te prejudicar” pode ser verdade, mas há uma grande probabilidade de não ser exatamente isso.  Esteja aberto a outras interpretações.  Se fosse outra pessoa em seu lugar, será que ela pensaria exatamente a mesma coisa que você?  Se questione! Talvez não tenha sido essa a intenção dele, talvez ele esteja em um dia ruim, talvez ele não soube se expressar.

6.Respeite e, principalmente, aprenda com as diferenças!

Geralmente não gostamos quando a equipe decide por algo que não concordamos.  Mas é importante ter em mente que existem muitas formas diferentes de pensar uma situação e o que você pensou pode realmente não ser o melhor caminho.  Adote uma postura curiosa em relação ao que irá acontecer em vez de pensar: “isso não vai dar certo” ou  ”não concordo”.  Que tal não concordar mas estar aberto ao novo? Colegas que organizam suas tarefas de forma diferente da sua podem ser uma fonte de aprendizado (tanto para você adquirir uma habilidade que não tem, quanto para você ver um modelo que não quer seguir)  e não uma fonte de irritação.

7. Relaxe

Para relaxar entre uma tarefa e outra: alongue, beba água, tome um café quentinho ou um suco, converse com os colegas, dê risada. Você pode levantar, ir para área externa, ir ao banheiro ou olhar a janela por alguns minutos!  Seja criativo e encontre algo que te dê prazer em pouco tempo.  Mas lembre-se: não entre nas redes sociais!  Essa não é a melhor forma de relaxar nesse momento. Existem muitos caminhos para ser feliz no ambiente de trabalho.  Algumas variáveis estão sob o nosso domínio e outras não.  É sempre mais sábio focarmos nos que podemos escolher e mudar.  Se não podemos mudar algumas regras ou a cultura da instituição que trabalhamos, podemos mudar a forma que nos relacionamos com elas.   E se o que você deseja está fora do lugar que você está, há sempre formas de buscar seus sonhos.  Se sozinho é mais difícil, uma terapia pode ajudar!  O mais importante é estar consciente, reflexivo e curioso sobre si mesmo e sobre o mundo que nos cerca! Bom trabalho!

Não acredite em todos os seus pensamentos.
03/07/2017

VA_Post-Só porque você pensa...

​”Só porque você pensa algo, não significa, necessariamente, que seja verdade”.  

Essa frase de Judith Beck é uma das bases da Terapia Cognitivo-Comportamental, abordagem teórica da psicologia que nos ajuda a avaliar nossos pensamentos (os quais estão muitas e muitas vezes distorcidos, mas, geralmente, não percebemos sozinhos).  A partir dessa avaliação mais cuidadosa, um mundo de descobertas é possível!

Quais são as evidências a favor e quais são as evidências contra o que você tem achado, pensado ou julgado sobre determinada situação ou característica?

Pensamentos distorcidos nos levam muitas vezes a sentir emoções ruins e desnecessárias, podem também nos levar a tomar decisões erradas das quais nos arrependeremos depois.

Dar-se conta dos próprios pensamentos e prestar atenção ao que eles mostram é uma bela forma de se autoconhecer!

Tem tido dificuldades emocionais, relacionais, comportamentais? Busque terapia!  Mas lembre: encontrar um profissional qualificado é fundamental!

Por: Lucila Dórea

Psicóloga especialista em terapia cognitvo-comportamental

6 características de relacionamentos saudáveis
13/06/2017

VA_Post-Ciclos_Dia dos namorados II (1)

Os relacionamentos podem ser fontes de emoções predominantemente positivas ou negativas, fontes de satisfação e alegria, mas também muito sofrimento e frustração.  Nesse texto trazemos algumas características a serem cultivadas para a construção de relacionamentos mais saudáveis e felizes!

Intimidade e cumplicidade:
São conquistadas com o tempo, quando uma pessoa se sente a vontade de mostrar suas falhas e erros para o(a) seu(sua) parceiro(a), pois sabe que receberá apoio e cuidado. Quando uma pessoa se sente livre para ser ela mesma, com suas qualidades e limitações, quando pode contar com o outro em seus momentos difíceis sem medo de ser julgada. Isso se constrói com atitudes de cuidado e respeito a cada dia. Quando duas pessoas conseguem vivenciar momentos de verdadeira intimidade com o(a) companheiro(a), o relacionamento tende a ser mais próximo e mais forte.

Diálogo com assertividade:
Esse é um dos grandes segredos de relacionamentos saudáveis. Quando o diálogo acontece de forma eficaz, os dois tendem a ter uma compreensão maior das necessidades do outro. Para um diálogo com assertividade acontecer, é importante saber escolher as palavras com cuidado, pensando em quem as escutará. Não vale a pena deixar a raiva falar mais alto e atrapalhar a comunicação. Por outro lado, é bom lembrar que escolher um bom momento para falar algo que o(a) incomodou é bem diferente de deixar pra lá e “esquecer”. Ser empático (se colocar no lugar do outro) com quem está te sinalizando que algo precisa melhorar é também um bom exercício para que a comunicação seja bem sucedida. Se você está em um relacionamento, esteja aberto ao diálogo isso te ajudará a ser mais feliz e realizado.

Respeito às diferenças:
Não adianta dialogar para sempre tentar impor suas necessidades e crenças ao outro. É necessário encontrar um ponto de equilíbrio. Somos diferentes e temos histórias diferentes. Ter isso em mente e estar aberto às diferenças pode ser muito enriquecedor e produtivo se, em vez de tentar moldar o outro de acordo com o seu ponto de vista de certo x errado, você aprenda outras formas de ver o mundo e de interpretar as situações. Pode ser muito libertador aprender com quem está ao seu lado. E isso significa também saber ceder.

Saber ceder:
Ceder em um momento e seu/sua parceiro(a) ceder em outro. Quando os dois cedem em algum momento, ninguém se sente anulado. Mas quando somente um cede e o faz sempre, algo precisará ser ajustado.

Admiração mútua: Um relacionamento tem muito mais chances de crescer fortalecido quando há admiração mútua entre as pessoas. Tendemos a dar muito mais atenção às qualidades de alguém no começo do relacionamento. As qualidades nunca passam despercebidas no início! Mas, com o passar do tempo é comum que os defeitos comecem a chamar mais atenção. É muito importante se lembrar de olhar pro outro com aquele olhar que consegue perceber as qualidades do seu (sua) parceiro(a), lembrar de sorrir com algo bom que ele/ela faz pra você ou para outra pessoa, ou de admirar a forma que ele/ela defende o que acredita ou como ajuda alguém. Quais são as virtudes de quem está com você? Quais são os pequenos detalhes do jeito dele/dela que você adora? Nunca se esqueça de ser capaz de perceber isso! Esses pequenos encantos mantém os casais unidos e com vontade de estar perto um do outro.

Diversão! Rir com seu parceiro e fazer coisas que vocês curtem é tão básico quanto tudo o mais que descrevemos! Não menospreze a importância disso! Momentos de diversão podem ser entre os dois e também com amigos. Cultivar uma vida social, com saídas a lugares agradáveis que os dois gostam traz um sentimento fundamental pra relação: a alegria!

É com esses ingredientes que desejamos a todos um feliz dia dos namorados! Usem e abusem dessas dicas não apenas nos relacionamentos afetivos! Podem colocar em prática nas relações com amigos, família e trabalho também! ;)

Por: Lucila Dórea

Psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental

Semana da Gentileza: atitudes terapêuticas e transformadoras
22/05/2017

semana da gentileza blog

As atividades terapêuticas desenvolvidas em hospitais-dia de saúde mental são, em grande parte, grupais.  A sintonia do grupo de pacientes, o acolhimento e o contato de um com o outro é, portanto, um fator  extremamente importante na melhora de cada um.

Tendo notado no grupo uma interação às vezes difícil entre alguns poucos pacientes, a equipe se debruçou a pensar qual seria a melhor forma de intervir em algo tão delicado.  E, assim, surgiu a ideia de trazer o tema da gentileza para todos e não apenas para os pacientes que estavam apresentando dificuldades nessa interação.  O tema será trabalhado de formas muito variadas,  durante o que a equipe denominou de “Semana da Gentileza”.

Segundo estudos da psicologia positiva – que é a parte da psicologia que, em lugar do adoecimento psíquico e seus tratamentos, estuda justamente o que faz bem psiquicamente, o que previne o adoecimento e o que eleva a qualidade de vida das pessoas – a gentileza é uma atitude que traz todos esses benefícios.  A gentileza desperta também outro sentimento muito importante, que é a gratidão.  E, assim, fortalece-se um ciclo de comportamentos e emoções que trazem bem-estar e elevam a qualidade dos vínculos, tornando-os ainda mais benéficos.

Dando início ao projeto, na última sexta-feira a equipe se reuniu para preparar o ambiente da clínica para receber os pacientes de uma forma diferente já nessa segunda-feira. Como resultado,  em cada canto da CICLOS pode-se encontrar um detalhe diferente que com certeza despertará o melhor de cada um!  E assim começou a Semana da Gentileza e dentre as atividades previstas para essa semana estão:

CAFÉ COM CANÇÃO: CORAL DOS FUNCIONÁRIOS:  Os Funcionários cantarão uma música para os pacientes no momento do café da manhã;

VÍRUS DA GENTILEZA: Apresentação do vídeo vírus da gentileza como disparador para a proposta da semana da gentileza;

CONSTRUÇÃO DO MURAL DA GENTILEZA: Pacientes deixarão mensagens no mural com sugestões de atitudes para um mundo gentil.

SEJA GENTIL COM SEU CORPO: Neila Alcantara, fisioterapeuta e professora de pilates do hospital-dia, irá trabalhar atividades da vida diária, mostrando a forma ideal para realizar os movimentos;

ALMOÇO NA ÁREA VERDE E DESCANSO GOSTOSO:  Arrumaremos juntos, equipe e pacientes, a área verde da CICLOS para o almoço e para o descanso!  Nesse dia, Léo, professor de dança e música foi convidado para fazer uma voz e violão!

GENTILEZA LÁ FORA: Ofertaremos no trânsito balas e cartões de gentileza construídos durante a semana para motoristas e pedestres.

SEJAM BEM-VINDOS:  Arrumaremos juntos o ambiente para receber o coral de deficientes visuais.  Após o lanche será feita a apresentação e depois um bate-papo.

Essas são algumas das belas atividades que preencherão os nossos dias nessa semana, que promete muitas transformações e reflexões.  O compartilhamento de experiências sobre como será vivenciar cada um desses momentos também é algo que está previsto e será muito enriquecedor.

Toda a equipe está muito feliz com tudo e os profissionais já relatam que a própria experiência deles na preparação e nos “bastidores” já foi capaz de despertar um prazer e alegria muito grandes.  “Esperamos esse efeito também no grupo de pacientes e demais funcionários e colaboradores! Todos serão alcançados pelos efeitos da gentileza!” – afirma Sarah Meireles, coordenadora da CICLOS.

“Orgulhamo-nos muito de ter uma equipe que trabalha em sintonia.  Ideias como essa são fruto de muita dedicação, partilha e troca.  Acreditamos que esse é o melhor caminho para se trabalhar com saúde mental: de forma responsável, técnica, aliando o conhecimento à criatividade e à afetividade” – completa Lucila Dórea, sócia e diretora da CICLOS.

É fácil de imaginar, mesmo para quem não é profissional da área da saúde, como essas atividades serão produtivas no sentido de auxiliar na melhora dos pacientes.  Vivenciar esses momentos pode ser muito valioso para, por exemplo, um paciente deprimido, ajudando-o a reencontrar o prazer nas atividades diárias ou, até, ajuda-lo a voltar a acreditar na vida. Para um paciente que sofre com o alcoolismo e vem sendo estigmatizado na família ou no ambiente de trabalho em consequência do uso abusivo da substância, essa “dose” de gentileza pode ter um grande valor e ser o diferencial para ele aderir ao tratamento; ou ainda, um paciente com esquizofrenia, que entre os sintomas negativos enfrenta a apatia e o isolamento social, ser convidado a participar dessas atividades pode ser mais um passo para a melhora desses sintomas.  Esse trabalho tocará cada paciente de uma forma diferente.

“Depois de atividades como essas observamos melhoras significativas em nossos pacientes”. – Afirma Tatiana Gonçalves, psicóloga da CICLOS.

E você, já foi gentil com alguém hoje?

#EspalheGentilezaComoQuemEspalhaConfete

ENTREVISTA – O INSTITUTO BECK DE TERAPIA COGNITIVA: CURSOS OFERECIDOS E COMO CHEGAR ATÉ LÁ
02/03/2017

Lucila Dórea no Instituto Beck

Confira a entrevista com nossa diretora e psicóloga Lucila Dórea e entenda mais sobre os cursos do Instituto Beck. Conteúdo voltado para psicólogos, estudantes de psicologia, psiquiatras, residentes de psiquiatria, profissionais e estagiários da área da saúde interessados em saúde mental.

1.Qual o curso que você fez no Instituto Beck de Terapia Cognitiva?

L- Foi um workshop de três dias sobre Terapia Coginitivo-comportamental para depressão e pacientes com risco de suicídio.

2.O que você tem a dizer para profissionais que se interessam em fazer o curso? 

L- Eu diria que é uma experiência única aprender na fonte e aprender diretamente com o criador da TCC, Dr. Aaron Beck e com sua filha Dra. Judith Beck.  Para mim foi extremamente emocionante.  Além disso, você tem a oportunidade de estar em uma sala de aula com psicoterapeutas do mundo todo, sendo uma atmosfera muito rica para troca de conhecimentos e experiências.  Ao final do curso criamos um grupo de Whatsapp e podemos trocar experiências, textos e pesquisas até hoje.  É maravilhoso!  Foi muito interessante, também, ver como é o Instituto Beck e como eles organizam os seus cursos.  E, de quebra, você ainda pode levar alguns dos seus livros para serem autografados.  Ao final do curso, você é adicionado em um grupo específico do Instituto Beck e recebe algumas pesquisas e outros textos.  A experiência continua mesmo após o fim do curso.

3.Qual o caminho para chegar até lá?

L – Quem deseja fazer o curso precisa visitar o site www.beckinstitute.org, clicar na aba “GET TRAINING”.  Lá existem várias opções de cursos.  Para quem quer ir ao Instituto Beck presencialmente, será preciso clicar na aba “workshops”.  Lá a pessoa encontrará todas as opções de datas dos próximos cursos.  É preciso olhar com atenção, pois nem todos são ensinados por Dra. Judith Beck.  O próximo workshop com ela será no dia 15 de maio, sobre depressão e suicídio.

4.Como é estruturado o curso?

L – Nesse curso de três dias, a maior parte das horas são ensinadas por Judith Beck e uma parte por outros dois membros do Instituto, Francine Broder e Robert Hindman.  Há um turno em que Dr. Aaron Beck participa, quando temos a oportunidade de fazer perguntas diretamente para ele! Além disso, um dos alunos pode se candidatar para fazer uma supervisão de caso, com o role-play com o próprio Dr. Beck!

5.O que você tem a dizer sobre o encontro com Dr. Beck?

L- Assisti-lo “clinicar” em nossa frente foi uma emoção indescritível.  O caso clínico apresentado era muito delicado e difícil e ele soube conduzir de uma maneira acolhedora e criativa ao mesmo tempo.  Quando ele chegou à sala, quis saber de onde eram as pessoas que estavam na turma, conversou um pouco, foi muito sorridente e acolhedor! Ele se interessa verdadeiramente em saber como a TCC está chegando em cada canto do mundo.  Hoje sinto também como minha a missão de espalhar a TCC pelo mundo, pois acredito muito que ela pode fazer a diferença na vida das pessoas.

6.Você fez alguns cursos on-line do Instituto Beck também.  O que você tem a dizer sobre eles?

L- Honestamente, em termos de aprendizado, acho que o curso on-line tem uma enorme vantagem, que é a possibilidade de parar, voltar, ouvir novamente, refletir, ler algo, aprofundar em um tópico e apertar “play” novamente.  Assim, o curso pode seguir o seu ritmo e você pode aprofundar bastante com leituras.  No curso você recebe uma série de textos para ler e complementar o aprendizado.  Há um momento em que os terapeutas do Instituto Beck fazem uma roda de conversa, discutindo como eles costumam utilizar determinadas técnicas, dão exemplos de casos clínicos, discutem alguns tópicos.  É excelente!  Há também algumas ilustrações com vídeos que tornam o aprendizado ainda mais fácil e prazeroso.  Você pode postar suas perguntas em um fórum e é também estimulado a fazer alguns exercícios e postar suas respostas.  Desse modo, você pode ver o que outras pessoas pensaram a respeito do que está sendo discutido.  Além de poder ver outras perguntas e respostas dos colegas.  Eu indico muito! O inglês de Dra. Judith Beck é muito claro e facilita.  Mas acredito que em breve eles terão a opção das legendas.  Eu gostaria que todos pudessem assistir essas aulas!

7.Como fazer para se inscrever nos cursos on-line?

L- Através do site, na aba “GET TRAINING”, clicar em “on-line training”.  Os próximos cursos começam em abril.

8.Tem certificado?

L- Todos os cursos têm certificado.  Você recebe uma carta comprovando a sua participação.

9.Há outros cursos que você indicaria?

L- O que mais me chamou atenção foi a possibilidade de fazer supervisão clínica em português por um dos membros do Instituto Beck.  Para quem quer fazer supervisão por lá, existe essa possibilidade.

10.Que outras dicas você daria para os psicólogos interessados em TCC?

L- Eu indicaria que eles se inscrevessem para receber a newsletter do Instituto Beck por e-mail. Para isso é só clicar no site em “Get Informed” e em “Beck CBT Newsletter”.  Não há nenhum custo nisso e é um jeito de estar por dentro de tudo que acontece por lá! E, quem tiver outras dúvidas, peço que entre em contato pelo e-mail luciladorea@nucleociclos.com.br, que ficarei feliz em responder!

Entrevista realizada com a psicóloga Lucila Dórea, que é diretora e sócia-fundadora da clínica CICLOS-Núcleo de Saúde da Mente.

 

TÊNIS X FRESCOBOL – Rubem Alves
30/12/2016

VA_Post-Ciclos_Tênis x Frescobol

Neste fim de ano, compartilhamos o belíssimo texto escrito por Rubem Alves, que faz uma bela reflexão sobre o modo que vivemos a vida!
Desejamos a todos um 2017 com muitas relações do tipo “frescobol”!!
Feliz Ano Novo!!!!

“Depois de muito meditar sobre o assunto, conclui que os casamentos são de dois tipos: há casamentos do tipo tênis e do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzche , com a qual concordo inteiramente. Dizia ele : _”Ao pensar sobre a possibilidade de casamento, cada um deveria fazer a seguinte pergunta : Crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice ?” Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Nos contos das “Mil e uma noites”, Sherazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam com a morte, como no filme “O Império dos sentidos”. Por isso, quando o sexo já está estava morto na cama, e o amor não mais podia dizer através dele, Sherazade o ressuscitava pela magia da palavra. Começava com uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra – é a sexualidade sob a forma da eternidade; é o amor que ressuscita sempre depois de morrer. Há carinhos que se fazem com o corpo e carinhos que se fazem com as palavras. Não é ficar repetindo o tempo todo “eu te amo, eu te amo “.

O tênis é um jogo feroz. Seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva que indica seu objetivo sádico, que é cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar, porque o adversário foi colocado fora do jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza do outro.

O frescobol se parece muito com o tênis : dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la e não há ninguém derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir…

E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos. A bola são as nossas fantasias, irrealidade, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho para lá , sonho para cá. Sonho para lá, sonho para cá…

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. O jogo de tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo como bolha de sabão. O que busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui , quem ganha, sempre perde.

Já no frescobol é diferente. O sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois sabe-se que, se é sonho é coisa delicada, do coração. Assim cresce o amor. Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então, que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…”

Reconhecendo e transformando: o sofrimento psíquico de pacientes mulheres
23/12/2016

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O Projeto Mulher consiste em atividades terapêuticas específicas voltadas para questões de gênero e violência contra a mulher, inseridas dentro da grade de atividades oferecidas no hospital-dia psiquiátrico da clínica CICLOS.

Cada paciente que busca e inicia um tratamento em hospital-dia o faz por estar vivenciando um nível de sofrimento psíquico elevado. Cada um com suas histórias e motivos únicos. No entanto, a partir de uma escuta sensível e cuidadosa da equipe, foi possível perceber, nas falas trazidas por algumas das pacientes mulheres de nosso hospital-dia, uma linha que costurava e interligava algumas dessas falas e demandas. Nelas vinha à tona a vulnerabilidade à qual elas estavam submetidas em suas relações afetivas, familiares ou laborais, pura e simplesmente pela sua condição de mulher.

A nossa equipe passou a perceber algo muito delicado: algumas de nossas pacientes apresentavam um mesmo padrão: de estarem engajadas em relações abusivas com seus companheiros, filhos ou outros vínculos familiares e laborais. Abusos psicológicos, financeiros e físicos estavam na base do adoecimento psíquico dessas mulheres.

A ideia de incluir um grupo terapêutico exclusivo para essas pacientes, assim como, incluir outras atividades voltadas ao cuidado dessas questões, passou a ser amadurecida e elaborada cuidadosamente com a contribuição de toda a equipe – que, coincidentemente, é composta atualmente, unicamente por mulheres – no primeiro semestre, tendo seu início de fato no segundo semestre deste ano.
O nosso objetivo era fomentar um espaço de discussão sobre a temática e os diversos tipos de violência, impulsionando a construção do empoderamento social dessas mulheres e a mudança da realidade vivenciada; Os grupos buscam oferecer a possibilidade delas vislumbrarem novos caminhos e novas reflexões sobre as situações abusivas que as mulheres sofrem todos os dias, desde a divisão das tarefas domésticas, julgamentos, rótulos, desqualificações, exploração financeira, entre outros.

Apesar do grupo ter sido iniciado há pouco tempo e ter ainda poucos encontros, já é possível observar como esse espaço fechado só para mulheres tem servido para que elas tragam e mobilizem conteúdos antes nunca falados. Dentre os recursos utilizados estão rodas de conversa, textos, músicas populares, atividades lúdicas e expressivas como trabalhos manuais, apresentações teatrais breves, visitas a instituições, como o Instituto Feminino, entre outras. Além disso, há também uma parte mais pragmática que consiste num trabalho preventivo de informação e de reconhecimento de situações abusivas, que, sem dúvidas, também tem contribuído muito para a melhoria da qualidade de vida dessas mulheres.

Texto escrito por três das responsáveis pelas atividades:
Giselle de Andrade – Terapêuta Ocupacional – CREFITO 10637TO
Lucineia Rocha Oliveira – Assistente Social – CRESS 4.448
Tatiana Gonçalves de Souza – Psicóloga – CRP 03/9356

A música e o canto como ferramentas de transformação
22/11/2016

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OFICINA TERAPÊUTICA ENCANTANDO

A oficina Encantando, acontece na clínica Ciclos há mais de um ano, tendo como objetivo geral ajudar os pacientes a buscarem a ressignificação de sentimentos através da música, além de favorecer a integração e socialização, o que é de extrema importância para pacientes com histórico de sofrimento psíquico ou transtornos psiquiátricos, que, geralmente, estão com a rede social fragilizada e vivenciando uma série de emoções negativas, algumas delas relacionadas a sentimentos de incapacidade, tristeza ou desesperança, o que gradativamente se transforma através do canto e da alegria vivenciada e partilhada na atividade terapêutica. A própria noção do eu que cada um constrói sobre si passa a ser mais positiva.

Entre os objetivos específicos da atividade estão:
• Estabelecer uma comunicação não-verbal através da música;
• Incitar a musicalização entre os pacientes;
• Estimular o trabalho e a construção de práticas em grupo;
• Promover a expressão emocional;
• Estimular a interação social;
• Proporcionar um momento lúdico-interativo entre os pacientes;
• Estimular o movimento e percepção corporal;
• Promover a escuta de si e do outro;
• Estimular a capacidade criativa do indivíduo.

Em seu âmbito terapêutico, a música proporciona ao indivíduo a livre expressão de suas ansiedades, tensões, desejos e alegrias, pois abre um canal de contato íntimo entre emoções que foram bloqueadas seja pelo adoecimento, por inibição, estresse ou falta de estímulo.

A oficina possibilita o estímulo do potencial criativo e diminuição das tensões e ansiedade. Segundo a musicista e regente Telma Chan (2001): “Cantar é uma prática que leva cada um a entrar em contato consigo, a vencer dificuldades, e a desenvolver qualidades”. O repertório da Oficina de Canto é organizado e escolhido em conjunto com os participantes. Juntos trabalhamos, além de algumas técnicas básicas de canto e respiração, a arte do canto livre. Semanalmente são trazidas novas músicas que são somadas à algumas músicas já trabalhadas (algumas canções são trabalhadas de forma mais contínua para apresentação do coral), e a atividade é finalizada com um momento de dança. Os pacientes acompanham as músicas através de letras previamente impressas, sendo sinalizados no decorrer da execução sobre melodia, ritmo, dentre outros aspectos musicais. Além disso, os pacientes são estimulados a liberarem sentimentos e emoções durante execução das músicas.

O resultado observado é extremamente positivo, podemos observar a retomada da musicalidade na vida dos pacientes, como percebemos na fala deles: “hoje eu me pego cantando em casa, em momentos que eu costumava reclamar ou chorar”, “obrigada por me trazer de volta a alegria de cantar”, “ já estou ouvindo música novamente em casa”, são alguns relatos ouvidos após término das oficinas.

A vivência de sentimentos positivos, o riso, a brincadeira, tudo isso traz leveza à vida dos nossos pacientes e não fica restrito ao momento da atividade, é um aprendizado, uma retomada de um padrão mais saudável que é levado para o dia-a-dia de cada um. Alguns pacientes se identificam com algumas letras de músicas e vão ressignificando a própria história, há uma identificação pessoal.

Além disso, a criação do CORAL CICLONIA (nome escolhido pelos pacientes) proporcionou aos mesmos a responsabilidade e dedicação, o compromisso com o grupo, trazendo também estímulo a cada apresentação realizada e a descoberta de potencialidades até então não percebidas. O CORAL CICLONIA já se apresentou em alguns locais, entre eles em um evento sobre saúde mental na Faculdade Bahiana de Medicina e Saúde. Toda a preparação e a apresentação em si colabora ainda mais para superação de dificuldades e o resultado é lindo e emocionante. Todos os pacientes relataram o quanto essa experiência, desde a preparação até o dia da apresentação, trouxe transformações importantes em suas vidas.

A IMPLANTAÇÃO DO NÚCLEO DE PESQUISA NA CICLOS E SUA IMPORTÂNCIA
28/10/2016

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A possibilidade de utilizar métodos científicos para avaliar de forma estruturada e ética o trabalho na área da saúde mental, especialmente o que é desenvolvido em nossa clínica, foi o desejo que mobilizou os membros da equipe multiprofissional para a implantação de um Núcleo de Pesquisa em nossa unidade. Esse desejo surgiu a partir da inquietação que sentíamos em não ter, antes disso, como quantificar e/ou comprovar de maneira objetiva a melhora observada e relatada por nossos pacientes e familiares tanto do hospital-dia, quanto do ambulatório, assim como, não tínhamos como identificar o que vinha dando resultados menos ou mais efetivos.

A possibilidade de avaliar de forma estruturada o trabalho desenvolvido, nos traz informações valiosas, tanto para aprimorar e ampliar as intervenções que se mostram eficazes, sejam elas realizadas no âmbito individual, grupal e/ou com familiares, quanto para poder refletir a respeito, modificar ou reestruturar as estratégias que não alcançam o resultado esperado.

Esse movimento é coerente com a preocupação que temos em continuamente avaliar e melhorar o trabalho que é realizado. Nós, enquanto instituição e equipe, queremos alcançar sempre melhores resultados.

Outro ponto que nos motivou a investir na implantação do Núcleo de pesquisa é a possibilidade que a pesquisa traz de divulgar os métodos desenvolvidos e resultados alcançados, por meio da publicação dos estudos, para que outras pessoas e outros profissionais possam conhecer, utilizar e/ou incluir em sua prática os métodos que comprovadamente se mostram eficazes.

Compartilhar o conhecimento que temos construído a partir de nossa prática, para que a comunidade científica e outras instituições possam se beneficiar e se utilizar desse conhecimento, é a forma que temos de contribuir, de forma indireta, para melhoria da qualidade de vida de um maior número de pessoas.

O Núcleo de Pesquisa da Ciclos está sendo implantado desde agosto deste ano, tendo como pesquisadora responsável a psicóloga Tatiana Gonçalves e consultoria e supervisão da neuropsicóloga Stella Sarmento, que tem grande expertise em pesquisas em psicologia e saúde mental. O seu conhecimento tem contribuído para que possamos estabelecer nosso Núcleo em bases sólidas e desenvolver pesquisa de forma ética, respeitando as diretrizes estabelecidas e utilizando métodos válidos e respeitados na comunidade científica.

O principal objetivo do Núcleo de pesquisa CICLOS é fomentar a discussão e a produção do conhecimento científico na área de Saúde Mental e afins, bem como, desenvolver atividades na área de ensino, pesquisa e extensão com intuito de contribuir com a prática profissional de profissionais da área e verter os conhecimentos construídos em benefício da sociedade. Este é um dos nossos maiores sonhos e temos trabalhado de forma incessante para alcança-lo.

Tatiana Gonçalves de Souza – CRP 03/9356
Coordenadora do Núcleo Acadêmico e de pesquisa da Ciclos
Psicóloga do Hospital-dia Ciclos
Terapeuta cognitivo-comportamental.

Outubro, mês das crianças… Vamos pensar na qualidade de vida delas?
12/10/2016

Tatiana Pedreira é psicóloga, psicoterapeuta e mãe. Ela vem pesquisando intensamente a infância nos últimos anos e tem se tornando mais e mais envolvida com o tema educação não-violenta e com o respeito à infância. Após se deparar com mais um dos muitos livros sobre adestramento de crianças, sua indignação a moveu a escrever o texto abaixo.

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Outubro, mês das crianças… Vamos pensar na qualidade de vida delas?

Acabo de ter acesso a um dos inúmeros livros sobre “domesticação” de crianças que prometem milagres a partir de métodos que desconsideram por completo a saúde psíquica infantil. Sim, estes livros existem, e são muitos… Vendem como água, pois prometem a transformação de crianças em seres não trabalhosos, não inquietos e não incomodativos. Ou seja, em mini-adultos “super adaptados”, passivos e, infelizmente, adoecidos.

Um exemplo disso é a técnica de “encantamento de bebês” que promete noites de sono inteiras para pais e filhos à base de uma violência das mais severas contra um bebê: deixá-lo chorando sozinho. Inúmeros estudos indicam que isto provoca danos neurológicos, afetivos e inter-pessoais.

Por outro lado, pais que acolhem a criança em sua dor e reagem sensivelmente às suas necessidades numa época em que a dependência é natural, como na primeira infância, tendem a criar filhos mais autônomos, auto-confiantes, resilientes, responsáveis e empáticos. Serão, portanto, adultos capazes de se relacionar de forma mais saudável com o outro, com o mundo e consigo mesmos.

Para conhecer mais acerca do assunto, sugiro pesquisas acerca de apego seguro, criação com apego, disciplina positiva e psicobiologia infantil. Estas são boas chaves de pesquisa e de conexão com o universo infantil. Mas o simples desejo de penetrar nas referências da criança, mesmo que sem teorias ou ciência por trás, já nos ajuda muito nesta tarefa tão desafiante que é criar filhos com saúde psíquica e social.

Talvez estes filhos não sejam as crianças mais quietinhas do mundo; mas serão CRIANÇAS, plenamente: criaturas curiosas, criativas e seguras quanto ao necessário amparo e limite por parte de seus cuidadores.

O respeito à infância e à criança são não só possíveis, como preciosos para todos: para crianças, para os pais, para o vínculo entre eles e para nossa sociedade, que aos poucos se tornará menos violenta, mais salutar e permeada por respeito mútuo.

Se você gostou do texto, espalhe por aí! Vamos ajudar crianças e pais/mães na promoção de saúde psicológica e afetiva!

Tatiana Pedreira
Psicóloga e psicoterapeuta de abordagem humanista-existencial. Formada pela UFBA em psicologia clínica humanista, com formação em Análise Transacional e treinamento em psicoterapia individual e grupal. Estudou com alguns dos principais psicoterapeutas e teóricos da AT mundial em seu estágio em Evanston, Chicago e Connecticutt, onde dedicou-se ao estudo de traumas severos e da pratica clinica grupal. Hoje dedica-se especialmente ao tema “educação sem violência” e à pesquisa acerca de recursos educacionais que fomentem e preservem a saúde mental da criança. 

A importância da Terapia Ocupacional para pessoa idosa
01/10/2016
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Em comemoração ao dia internacional da pessoa idosa, a Terapeuta Ocupacional da Ciclos, Giselle Oliveira,  explica um pouco o que é a Terapia Ocupacional e qual a sua importância para a qualidade de vida do idoso.
Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, a Terapia Ocupacional é a “ciência que estuda a atividade humana e a utiliza como recurso terapêutico para prevenir e tratar dificuldades físicas e/ou psicossociais que interfiram no desenvolvimento e na independência do cliente em relação às atividades de vida diária, trabalho e lazer. É a arte e a ciência de orientar a participação do indivíduo em atividades selecionadas para restaurar, fortalecer e desenvolver a capacidade, facilitar a aprendizagem daquelas habilidades e funções essenciais para a adaptação e produtividade, diminuir ou corrigir patologias e promover e manter a saúde”.
Deste modo, quando se pensa na atuação do terapeuta ocupacional no processo do envelhecimento, busca-se refletir sobre todas as mudanças inerentes a essa fase do desenvolvimento do indivíduo.
Aposentadoria, mudanças nos papéis sociais, limitações fisiológicas do processo de envelhecimento de uma pessoa são exemplos de aspectos a serem levados em consideração ao se estabelecer o projeto terapêutico para o paciente a ser acompanhado.
Atuando da prevenção à reabilitação, o terapeuta ocupacional que trabalha em gerontologia terá como principais objetivos de seu atendimento o estímulo à participação social do idoso e sua melhor interação com a família,  comunidade, reabilitar o idoso que apresente limitações físicas e ou mentais na execução de atividades pertencentes a sua rotina (podendo inclusive lançar mão de adaptações e alterações ambientais quando estas se fizerem necessárias), encorajar o paciente quanto o estabelecimento de planos para o futuro, além da estruturação de uma rotina funcional e prazerosa, dentre outros.
Para o alcance destes objetivos, o profissional terá que considerar o histórico ocupacional do paciente em um olhar minucioso sobre o estilo de vida, grau de autonomia e independência, capacidades remanescentes e preferências.
Para intervenções individuais ou em grupos, poderão ser analisadas e utilizadas atividades de vida diária (higiene, alimentação, locomoção, comunicação), atividades de vida prática (cozinhar, ir ao banco, fazer compras), atividades lúdicas e sócio culturais (passeios, músicas, leituras, jogos, comemorações) além das artesanais e expressivas para a execução deste cuidado sem esquecer da orientação dos familiares e cuidadores.
Assim, podemos compreender que a Terapia Ocupacional é de fundamental importância para o cuidado e valorização da pessoa idosa enquanto indivíduo, explorando o máximo possível sua capacidade funcional para a manutenção de uma vida e rotinas saudáveis para o idoso.
Texto escrito por Giselle Oliveira, terapêuta ocupacional da CICLOS.  Giselle desenvolve seu trabalho como terapeuta ocupacional no hospital-dia (com pacientes adultos e idosos, onde uma das atividades das quais é responsável é voltada para o público idoso),  quanto através do acompanhamento ambulatorial de pacientes (consultas regulares semanais) e atendimentos domiciliares à idosos.    
A clínica Ciclos tem uma preocupação especial com a saúde mental do idoso, que, infelizmente, é muitas vezes esquecida no cuidado à essas pessoas. Conheça as opções de cuidados à saúde mental do idoso da CICLOS e ofereça ao seu familiar uma qualidade de vida melhor e maior satisfação para viver essa fase da vida!

Flexibilidade Cognitiva e Espectro Autista
17/09/2016

Estudo realizado pela Universidade de Miami pode ajudar na compreensão e tratamento de distúrbios comportamentais e neurológicos.

Clique aqui para o: (Texto original em inglês)

Tradução livre realizada por: Lucila Dórea – psicóloga, sócia e diretora da clínica CICLOS.

Pesquisadores da Universidade de Miami propõem um novo modelo para compreendermos a habilidade de mudança de pensamentos que pode aumentar nossa compreensão sobre distúrbios comportamentais e neurológicos.

Flexibilidade cognitiva é a capacidade que temos de mudar nossos pensamentos e de adaptar o nosso comportamento ao meio ambiente.  Em outras palavras, é a capacidade de se desvincular de uma atividade e responder eficazmente a outra. É uma habilidade que passa despercebida pela maioria de nós, mas que é essencial para vivermos a vida.

Em um novo estudo publicado na revista científica Trends in Neurosciences, pesquisadores da Academia de Artes e Ciências da Universidade de Miami esclarecem muitos dos conceitos relacionados à flexibilidade cognitiva e propõem um modelo dos seus mecanismos neurais subjacentes. O novo modelo pode ser fundamental para a compreensão de distúrbios comportamentais e neurológicos, tais como o transtorno do espectro autista.

“Ao compreender, em um distúrbio neurológico como o autismo, como o cérebro tenta implementar a flexibilidade cognitiva, podemos compreender melhor a natureza da doença”, diz Dina R. Dajani, doutoranda de psicologia e primeira autora do estudo. “O modelo irá demonstrar se devemos tentar ensinar aos indivíduos com autismo as mesmas estratégias utilizadas pelos indivíduos com desenvolvimento típico, ou optar por melhorar as estratégias já existentes em indivíduos com o transtorno.”

Por exemplo, comparativamente com indivíduos saudáveis, saber há um aumento ou diminuição na conectividade entre as regiões cerebrais em pessoas com autismo ou se estas pessoas usam regiões completamente diferentes para implementar a flexibilidade cognitiva, possibilitará aos pesquisadores desenvolverem intervenções que ajudem a melhorar essa capacidade.

Quanto maior a flexibilidade cognitiva em um indivíduo, maiores são as suas chances de ser mais bem sucedido ou mais bem adaptado à vida. Estudos anteriores demonstraram que uma maior flexibilidade cognitiva se relaciona a melhor compreensão na leitura em crianças, a resiliência em adultos e qualidade de vida em idades mais avançadas.

“Nosso objetivo era resumir e fornecer orientações para futuras pesquisas sobre um tema que é relevante para a compreensão de vários distúrbios do desenvolvimento prevalentes”, disse Lucina Q. Uddin, professora  assistente de psicologia, investigadora principal e coautora  do estudo. “Acreditamos que uma melhor compreensão dos sistemas neurais que intermedeiam essa capacidade crucial irá ajudar os clínicos a desenvolverem mais tratamentos efetivos voltados para ajudar indivíduos com dificuldades relacionadas à flexibilidade no comportamento na vida cotidiana, particularmente aqueles com autismo.”

No estudo, os pesquisadores fizeram uma revisão de literatura dos estudos de neuroimagem existentes sobre flexibilidade cognitiva e lançaram uma hipótese relacionada aos mecanismos neurais fundamentais desta importante faculdade mental. Os pesquisadores sugeriram quatro componentes que trabalham juntos para implementar a flexibilidade cognitiva: detecção  de saliência/ atenção (ambos alcançam objetivos semelhantes para dirigir a atenção para eventos relevantes para o comportamento), memória de trabalho,  inibição e comutação. Se o modelo sugerido por eles for validado, ele irá fornecer um alicerce para que pesquisadores o utilizem como base para determinar o que pode estar errado em indivíduos com deficiência na flexibilidade cognitiva.

“Nossa ideia é muito diferente de outras concepções de flexibilidade cognitiva porque nós a descrevemos como resultante de quatro operações cognitivas distintas, ao passo que outros pesquisadores têm-na descrito como uma manifestação de uma única operação cognitiva”, disse Dajani. “Esta nova hipótese pode ajudar a nossa compreensão sobre essa complexa habilidade.”

O título do trabalho é “Desmistificando a flexibilidade cognitiva: Implicações para a neurociência clínica e do desenvolvimento (Desmystifying cognitive flexibility: Implications for clinical and developmental neuroscience)”.  Os pesquisadores agora estão usando neuroimagem funcional para testar os “quatro componentes” da sua hipótese sobre flexibilidade cognitiva.

Imagem de Freepik

Atividade externa no tratamento em hospital-dia
09/08/2016

Que tal começar a semana com um passeio pelo Parque da Cidade? Essa foi a atividade terapêutica na tarde de ontem. Os pacientes do hospital-dia desfrutaram de muitos momentos agradáveis, de tranquilidade e alegria!

para site ciclos passeio parque

“As pessoas, quando inseridas em um grupo motivador e acolhedor, onde há apoio mútuo, conseguem superar suas dificuldades e aprender novas formas mais saudáveis de estar na vida, rompendo padrões emocionais negativos e e modificando comportamentos disfuncionais”. – comenta a psicóloga e sócia da clínica Ciclos, Lucila Dórea.

Ela nos explica que, com o tratamento em hospital-dia, torna-se mais fácil vencer os sintomas da depressão ou de muitos outros transtornos psíquicos e sociais. Pessoas que tentam vencer o alcoolismo, por exemplo, começam a reconstruir uma rede de suporte social ao se inserir nas atividades grupais propostas pelo hospital-dia, conseguem reaprender a se relacionar com novas pessoas, retomam atividades saudáveis e prazeirosas não relacionadas ao uso do álcool. Aos poucos a auto-estima e auto-confiança, tão importantes para o bem-estar e qualquer processo de mudança, vão sendo restabelecidas. Pessoas com esquizofrenia, com sintomas de isolamento social, são acolhidas pelo grupo e conseguem ir aos poucos vencendo os sintomas negativos da doença. Pessoas com depressão recebem um apoio importante para conseguirem iniciar uma nova atividade, a rotina está estruturada dentro do hospital-dia, facilitando a ativação comportamental, e, assim, elas vão conseguindo retomar o prazer e a satisfação desses momentos, antes perdidos com o adoecimento.

O tratamento em hospital-dia traz uma gama muito grande de caminhos para que os pacientes possam se reconectar com padrões mais saudáveis e superem o adoecimento, retomando sua autonomia. Por isso, as atividades externas são inseridas como parte do tratamento.

Curso Entrevista Clínica e DSM-V
21/06/2016

patrocínio cartaz wilson

É com muito orgulho que anunciamos o curso com o Professor Wilson Vieira Melo abordando uma temática fundamental para qualquer profissional que atua na área de saúde mental: “Entrevista Clínica, introdução ao modelo dimensional e estrutura geral do DSM-5″.

O início do tratamento e a capacidade do profissional atuar de forma empática e técnica na entrevista clínica e um bom conhecimento para elaboração de uma hipótese diagnóstica consistente são fundamentais para um tratamento efetivo junto aos pacientes. Recomendamos muito o professor Wilson, que compartilhará com maestria estes conhecimentos.

Este curso é mais uma organização do nosso Núcleo Acadêmico Ciclos, que tem como um de seus objetivos contribuir para uma formação sólida e continuada dos profissionais da nossa cidade. Acreditamos que profissionais que se preocupam em atualizar seus conhecimentos são fundamentais para a existência de serviços de saúde de qualidade.

Treinamento em MINDFULNESS
20/06/2016
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A quarta turma do curso Treinamento em MINDFULNESS, com a professora Daniela Sopezki chega à Salvador com promoção da CICLOS e as inscrições já estão abertas.  
 O curso é o formato intensivo do protocolo de 8 semanas de Brethworks,  InglaterraMindfulness for Stress &  Mindfulness for Health - um dos principais  programas internacionais que utilizam técnicas de desenvolvimento do  estado de mindfulness como estratégia para o cuidado da saúde, com  inspiração nos modelos clássicos MBSR – Mindfulness-Based Stress Reduction e  MBCT – Mindfulness-Based Cognitive Therapy.
 As práticas de mindfulness consistem em reeducar a nossa atenção ao momento  presente de forma não julgadora através de um conjunto de exercícios que treinam a  mente para permanecer no aqui e agora.
Evidências científicas comprovam, através de pesquisas realizadas, que praticar mindfulness é eficaz na redução de sintomas de depressão, ansiedade, estresse, assim como, no aumento do bem-estar e qualidade de vida.  Desse modo, o mindfulness está sendo cada vez mais utilizado como ferramenta e incluído em programas de psicoterapia e saúde mental.
Essas práticas surgiram, predominantemente, das filosofias orientais e foram adaptadas para um formato laico de modo a não carregarem conteúdos religiosos ou culturaispara que fosse possível sua utilização no campo da saúde, assim como, no contexto da educação ou de organizações, tornando-se acessíveis à todas as pessoas.
O curso é voltado para o publico geral que busca ferramentas para melhorar sua qualidade de vida, assim como, para psicólogos, psiquiatras e profissionais da área da saúde que buscam conhecer a técnica.  O curso é vivencial com foco no aprendizado pessoal.
A equipe multiprofissional do nosso hospital-dia da CICLOS participou da primeira turma realizada e hoje já utiliza algumas técnicas do mindfulness com os pacientes.  É um conhecimento que precisa ser mais difundido e utilizado e, assim sendo, nosso Núcleo Acadêmico mantém-se firme nessa tarefa de trazer cursos importantes para nossa cidade.
As vagas são limitadas (apenas 24 vagas), por ser um curso vivencial.  O formato do curso é intensivo, aplicado em um fim de semana, nos dias 26, 27 e 28 de agosto, na CICLOS. Mais informações no cartaz divulgado ou através do e-mail daniela@iniciativamindfulness.com.br ou do telefone 71 9 8899-5835.

CANTANDO PRA SE CONHECER
27/05/2016

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Entre as inúmeras atividades oferecidas pelo Hospital Dia da CICLOS, o desenvolvimento de ações lúdicas como música e teatro contribuem bastante para que os pacientes possam ficar ainda mais à vontade.

Foi desta forma que surgiu, cerca de um ano atrás, a Oficina Encantando, coordenada por Maraíze Gomes (CRF 007715), farmacêutica especialista em Saúde Mental da clínica, na qual participam entre 20 e 35 pacientes atualmente.

Entre as atividades propostas na ação, o Coral CICLONIA chama atenção especial pelo rápido desenvolvimento, já tendo realizado, inclusive, apresentações abertas ao público em eventos. “O intuito do CICLONIA é estimular o canto e o interesse na música, além de propor maior interação entre o grupo, possibilitando fluidez à pacientes com comportamento mais rígido e, àqueles com quadros de depressão, a retomada da alegria e de um prazer em seu cotidiano”, explica ela.

Com ensaios semanais e a escolha de repertórios em acordo com as opiniões do grupo, o CICLONIA surgiu de um desejo dos próprios pacientes para uma apresentação de fim de ano e acabou se perpetuando por proporcionar lazer, relaxamento e culminar em eficácia terapêutica real. “Além da função química de liberar endorfinas, a música proporciona aos pacientes o reencontro consigo mesmo e a sensação de se sentirem vivos”, comemora.

APRESENTAÇÃO ESPECIAL – Após semanas de ensaio, no dia 13 de maio, o coral CICLONIA foi aplaudido de pé em evento “Lutas em Saúde Mental” realizado pela Escola Bahiana de Medicina. Maraíze conta que a experiência foi um misto de ansiedade e emoção, não só para os pacientes, mas para ela também. “Foi muito prazeroso ver o resultado de um trabalho feito com tanta dedicação. O comprometimento de todos os envolvidos superou nossas expectativas”.

PRA INSPIRAR…
11/05/2016 unnamed_5

 

A história da renomada médica psiquiatra Nise da Silveira acaba de virar filme e um pouco de seu vasto legado pode ser visto nos cinemas. Para coroar, a interpretação irretocável de Glória Pires dá o tom dos avanços advindos com esta grande profissional.

Quer saber mais? Confira abaixo, um bate-papo com a Terapeuta Ocupacional da Ciclos Gisele de Andrade (CREFITO 10637TO). Você vai querer correr para o cinema!

1. Como o legado de Nise da Silveira mudou a forma dos médicos e demais profissionais de saúde lidarem com pacientes psiquiátricos?
Historicamente, a medicina da saúde mental era extremamente invasiva quando Nise da Silveira iniciou sua carreira. Os tratamentos eram a base de eletrochoques e medicamentos, e pouco se via a relação destes sujeitos com ambientes externos, com a comunidade e com a vida além do hospital. Neste cenário, Nise insere uma visão da arte e das expressões, trabalhando com marcenaria e atividades construtivas, permitindo que estes pacientes tivessem expressão e voz e, principalmente, proporcionando um olhar multiprofissional sobre a realidade.

Até então, o trabalho era ligado aos cuidados com a estrutura e com os hospitais. Nise passa a vislumbrar a vida “extramuros”, com a preocupação em conectar este sujeito com a vivência além da internação psiquiátrica, tornando-se a precursora para a prática adotada atualmente. Foi a partir da sensibilidade deste olhar que se iniciou um processo de evolução sanitária e a sistematização da Terapia Ocupacional como ciência.

2. Para a área de Terapia Ocupacional, a dinâmica proposta por Nise foi um grande avanço no desenvolvimento de técnicas de acesso aos pacientes. Você concorda com isso?
Certamente sim. Nise traz uma visão de ciência para a ocupação dos pacientes no ambiente dos hospitais psiquiátricos. O que antes era apenas um olhar terapêutico, só para tirá-lo do ócio, se torna uma atividade com olhar científico e criterioso.

Além disso, com o respaldo de Jung, ela traz visão científica do fazer, da ocupação direcionada, da arte como um importante elo com o paciente. É uma forma eficaz de se construir uma relação com o sujeito, auxiliando na melhora da organização e da expressão dos sentimentos. Funciona realmente como uma “ponte” entre o mundo externo e a realidade do sujeito em movimento. Nise sistematiza a profissão e mostra que toda a atividade feita tem um objetivo, tem análise e há um resultado esperado.

3. Como as reflexões de Nise e as mudanças na prática do cuidado que ela colocou em prática na Casa das Palmeiras tem semelhanças com as práticas de cuidado adotadas na Ciclos hoje?
É importante explicar que a Casa das Palmeiras era uma estrutura intermediária entre o hospital e a vida em sociedade, tal qual uma instituição de passagem. O que vivemos hoje é o desdobramento deste trabalho. A Casa das Palmeiras reflete sobre este ambiente em que o sujeito está e como é possível impulsionar o tratamento, atuando como ponte entre a psiquiatria, a vida em comunidade etc.

A luta de Hospitais Dia e de Centros de Assistência Psicossociais é de extrema importância e recente. Não lidamos apenas com a doença, mas com o sujeito. Englobamos itens como família, história, histórico laboral, além dos desejos e respeitando as limitações individuais. Na Ciclos, vemos o sujeito como um ser de possibilidades e de crescimento, com o qual podemos trabalhar e explorar vários recursos que potencializem e contribuam com o seu tratamento.

Neste mesmo viés, há um crescimento muito expressivo, pois são exploradas todas as faculdades deste sujeito: projetos de vida, território em que está inserido, sua história de vida e sua individualidade. Acho que este é o ponto: quando se respeita a individualidade dos outros é obvio que o sucesso das relações e o trabalho é notório. Não é simplesmente medicar, é cuidar.

4. O que é mais marcante na trajetória de Nise e que você acredita que deve ser levado ao conhecimento das pessoas?
A própria Nise da Silveira é uma história a ser admirada. Uma mulher que está à frente de seu tempo, de vanguarda, com história de perseguição política, trazendo a luta e a persistência como traços marcantes, contrapondo-se com um olhar sensível ao outro.

Não se pode trabalhar a saúde mental sem este olhar sensível. Observar o sujeito ao nosso lado como alguém de possibilidades, desejos, com necessidades de cuidado, de aproximação e de vínculo. A grande riqueza do trabalho de Nise é a persistência em fazer o diferente. Ela “sai da caixinha”, daquilo que era usual e comum, do que era certo ou errado, decidindo caminhar junto e segurar na mão dos seus pacientes. Não existe, a meu ver, saúde mental se o profissional não está apto a transpor o seu próprio mundo e observar o outro com uma visão de possibilidades, acreditando que o sujeito sempre pode mais.

Veja o trailer oficial em https://goo.gl/ccdUaM.

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